Wednesday, 31 December 2008

I was bored before I even begun...

Boa tarde (noite),
O ano diz adeus mais uma vez.
- Impossível, pois, 2008 só existiu essa vez e foi definitivo!
Tudo bem, recomecemos...
- Amanhã, amanhã...
Sim, refiro-me ao post.
O ano está em suas últimas horas, diz suas últimas palavras e ninguém foi visitá-lo no hospital, porque hoje é dia de beber. E beber é a pauta mais importante do último segundo. Particularmente, vou encher a cara quando 2009 aparecer, para que eu não o reconheça e não sinta nada de amargo além do líquido amarelo.
Depois vem a parte chata: abraçar todo mundo que você mal fala durante o ano (ou anos) e que coincidentemente estarão no mesmo local de festejos que você. Okay, abraço e outro, logo me livrarei de todos eles e vou para um lugar agradável.
É engraçado todas as pompas dadas para o último e primeiro dias do ano, respectivamente, quando não passam de dias oridários nos calendários mundiais. Já está enraizado na cultura, e é mais um motivo para a bebedeira.
- Só pensas em se acabar. Afê!
Nos acabamos diariamente, como as montanhas.
- Sou uma montanha bem alta, durarei mais.
Que bom. Aguardarei tua chegada, quando te tornares pó. Enquanto isso, feliz ano novo, adeus ano velho, visitarei-te no asilo an(u)al.



Sugestões do Ti

Nesta época do ano, as pessoas se permitem um olhar retrospectivo, a partir do qual se tenta estabelecer os fatos de maior importância do ano que passou. Assim, retomam-se os escândalos políticos de março, as novidades literárias de setembro e os grandes lançamentos cinematográficos do verão. Os mais entusiasmados chegam a esboçar intermináveis listas de "melhores" e "piores", de "revelações" e "decepções".

Costumo achar esse tipo de coisa um porre. Primeiramente, tendo a desprezar a opinião de jornalistas. A maioria não tem capacidade de apreciar a conseqüência de uma obra de arte ou de uma situação política que se configura. Suas análises são circunstanciais, ineptas a transpor o presente. Com isso, não passam de fofoca ou crítica rasteira.

Em segundo lugar, tenho certo horror a esse tipo de olhar-síntese que toma conta das pessoas ao tempo das festas de fim de ano. É o reverso da moeda daquela visão esperançosa e prenhe de promessas que costuma rondar as conversas a partir de primeiro de janeiro. Arbitrariamente, demarcam-se períodos incomunicáveis no inexorável fluxo da vida. Para mim, trata-se de um gesto infantil e – o que é pior – mistificador.

Feito esse preâmbulo, posso eu entregar-me a retrospectivas. A minha, contudo, não se restringe ao ano que passou. Tampouco é fruto do espírito dezembrino. Advém, sim, de meu interesse em compartilhar com Tahi um pouco do meu amor pelo cinema.

A minha retrospectiva não é dos melhores da história. Tampouco é dos melhores filmes que já vi. É, antes, uma antologia de cenas que perduram em minha memória. É uma antologia da arte, em sua grandeza, que moldou meu espírito e ajudou formar a minha maneira de experimentar o mundo. Há muitas cenas, para mim memoráveis. que não estão aqui. Os motivos são vários. Creio que os mais comuns sejam: indisponibilidade (i.é, ausência de vídeo), como é o caso da derrota no picadeiro de Noites de Circo, e esquecimento (sim, pois há grandes filmes cujo nome ou roteiro não me é mais possível evocar).

Os Imperdoáveis

Este filme é uma seqüência de cenas memoráveis. Para lhe fazermos justiça, seria necessário selecionarmos mais uns três ou quatro trechos. Todavia, escolherei apenas um.

Os imperdoáveis é um filme que tenta retomar o western através do resgate dos seus principais elementos: o xerife corrupto, o inabalável sentimento de missão do protagonista etc. etc. Nesse processo de resgate, contudo, o espectador enxerga o anacronismo e a inviabilidade dessa maneira de se retratar o mundo. A brutalidade não é heróica, não é gloriosa, não é bela. Por isso, o tom gradiloqüente do western soa falso ou exagerado, servindo apenas como recurso irônico. Clint Eastwood tenta dar profundidade ao gênero, atualizando-o à nossa maneira de ver o mundo. Ao fazer isso, destrói o sistema artístico western. Não mais é a representação de uma ordem de valores e de procedimentos estéticos que funciona de maneira autônoma, segundo a sua própria lógica. Trata-se mero elemento incidental, de caracterização de cenário e trejeitos das personagens.

http://br.youtube.com/watch?v=8wGiJcq95Ug&feature=related

A passage to India

A expressividade do rosto de Judy Davis é algo que me fascina. É pena não haver no youtube cópia do trecho em que ela desmaia, em razão da atração/repulsa que sente pelo médico indiano. O seu refinamento dramático em Passagem para a Índia pode ser apreciado aqui:

http://br.youtube.com/watch?v=vmiLiwJjzGE

A fonte da Donzela

A pureza da moça quase dissuade o bando de seu intento criminoso. Recobram o impulso, ao que parece, pelo prazer de conspurcarem aquela alma inocente. O contraste entre a maldade latente e a pureza reforçam a natureza criminosa, irredimível, do ato.

http://br.youtube.com/watch?v=qdMbnRquuKI

O Porteiro da Noite, de Liliana Cavani

Esta é, certamente, a cena cinematográfica que mais repulsa me trouxe. A confluência do abominável (i.é, o nazismo) e erotismo até hoje me traz mal-estar e perplexidade. É o mais bem acabado retrato da depravação.

http://br.youtube.com/watch?v=CLcKiC3Vro0

Aguirre

Uma atuação soberba de Klaus Kinski nessa aventura conradiana, em que as privações da vida selvagem põem abaixo o sistema de valores do homem ocidental.

http://br.youtube.com/watch?v=ZDlra8SsuXc&NR=1

Arca Russa

Um filme soberbo. Uma rapsódia da alma russa. Aqui, neste baile, reconheço passagens de Guerra e Paz. Não é a melhor parte, mas impressiona.

http://br.youtube.com/watch?v=AEaRgxJ8NNU&feature=related

Lawrence da Arábia

A aparição de Omar Sharif em Lawrence da Arábia é um dos grandes clichês de antologias. Ainda assim, ela consta na minha lista. Sharif é a virilidade encarnada, a força que inspira os homens e corrompe as mulheres. No filme de David Lean, atormentou os olhares da personagem de Peter O'Toole.

http://br.youtube.com/watch?v=FvBcl40QOhQ&feature=related

O Último dos Moicanos.

Muito melhor que o insosso romance, o filme vale por sua cena final. Um casamento perfeito entre música e imagem, enfeixa de maneira ímpar o amor em toda a sua grandeza e inconseqüência. O olhar desnorteado de Alice à beira do precipício me persegue há anos.

http://br.youtube.com/watch?v=5SoeDAPj6gg

Blade Runner

As palavras se bastam. Parece-me variação de um trecho de Macbeth.

http://br.youtube.com/watch?v=ZTzA_xesrL8&feature=related

Nós que nos amávamos tanto

Lidar com a passagem do tempo é algo complexo, sobretudo no cinema, arte em que a voz organizadora do narrador não pode se fazer explícita e decretar que muitos anos se passaram. A cena da Piazza Caprera supera esse impasse por meio da evocação da imagem da roda do tempo e da fortuna. O tempo passou e destruiu todos os sentimentos que havia entre as personagens.

http://br.youtube.com/watch?v=8xzB7Bm5878

Morte em Veneza

Agonia de Aschenbach dispensa comentários ou explicações. Ah, Dirk Bogarde...

http://br.youtube.com/watch?v=n3pOn_qymIw

The Ballad of Jack and Rose

Este é certamente um filme menor. A música é conduzida de maneira inábil e a mocinha, conquanto bela, é uma atriz aquém das exigências dramáticas da personagem. No entanto, raras vezes vi um retrato tão preciso da natureza pecaminosa do ser humano. Pai e filha vivem em paz, retirados de nosso mundo degradado. São um corolário prático das velhas teorias rousseanianas de que o homem nasce bom mas a sociedade o corrompe. Tal acepção, contudo, é progressivamente erodida pela atração incestuosa que nasce entre eles. Do bem, de seu esforço contínuo em fazer o bem e serem bons, emerge o mal. São eles mesmos os agentes de destruição do paraíso que construíram à custa de tanto isolamento. Nós somos, invariavelmente, a nossa própria serpente. Na cena abaixo, a serpente triunfa mais uma vez.

http://br.youtube.com/watch?v=wB8TrxfKhWs

Ti.

Friday, 19 December 2008

Diálogo

1 - você sente-se bem quando visita essa praia?
2 - é. sempre vem aquela lembrança estranha, mas são como um jardim de flores de papel, eu amasso uma a uma e continuo a viver.

1 - não seria tão cruel da tua parte fazer isso?
2 - não penso dessa maneira. eu aprendi a não sentir mais.

1 - e como você faz para amar outra pessoa?
2 - não há outra pessoa. talvez não haverá mais.

1 - então você ainda sente falta da menina da praia?
2 - não é falta, eu não sinto mais nada por ela.

1 - mas seus olhos não demonstram isso. você está se contradizendo, os olhos não mentem jamais.
2 - você tá muito maricas, esqueça essas idéias bobas, o amor já era, não há como amar alguém de verdade, ou profundamente, ou deixar tudo por amar alguém, ou não amar mais você. isso é história pra guriazinhas sem nada o que fazer, daí crescem e ficam iludidas, isso não existe, ninguém quer saber de ninguém!

1 - então você abandonou tudo? Quero dizer, abandonou o amor, o sentir afeição por outras pessoas?
2 - não, eu ainda gosto de sair com algumas gurias, só que elas acham que ligarei no dia seguinte, não há dia seguinte, aquilo que aconteceu ali já foi, não volta e não tem outra vez.

1 - é, pelo visto a garota da praia mexeu demais com você.
2 - há muito me dei um tempo. você não sabe da metade da história, eu já fui mais bobo do que hoje, mas sei o que fazer, sei o que acontece quando você se entrega.

1 - mas alguma coisa ela te ensinou não é?
2 - ah, claro, ela me ensinou a ser assim. não me culpe pelo o que sou, ela me ensinou isso, estás feliz?

1 - bom, não há tanto o que dizer quando se está na cara que você ainda ama bastante aquela garota. Achas mesmo que podes retornar a encontrá-la por aqui?
2 - desculpa, mas eu acho que você não entendeu metade do que eu disse. eu não me importo de encontrá-la, eu não me interesso e nem quero revê-la. acabou o amor, não há mais nada. quanta insistência!

1 - ok, você quem sabe, só que a solidão é só tua. aposto que na tua mente estás esperando ansiosamente para revê-la, pra quem sabe topar com ela enquanto caminhas sobre a areia, ver ela surgir no mar.
2 - não perca seu tempo comigo, muito menos o seu dinheiro. sou um caso perdido.

1 - eu sei aonde ela está.
2 - o quê?

1 -mas tenho que ir agora, fique bem, não fira mais o seu coração.
2 - er...

2 - e-eu só queria fazer uma pergunta.
1 - diga.

2 - aonde eu posso encontrá-la?
1 - você sabe aonde. ela está tão perto que você nem imagina o quanto.

2 - obrigado!
1 - até a próxima.


"Um anjo torto me disse..."

Friday, I'm in love!

Sexta-feiras são os melhores dias. Neles, parece que tudo é agradável e possível. Após um ano, aprecio a chuva através da minha janela (que em breve não será mais minha, vamos nos mudar desse apartamento).

Não possuo nenhum aparato tecnológico capaz de registrar imagens, portanto, sem fotos. Gostaria muito de partilhar visualmente este instante. Ok, paciência.

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Ontem eu dirigi para cacete, eu gosto de dirigir, então, eu lembrei-me de como o Ti dirige, refiro-me à posição do banco, próximo ao volante, e a utilização do cinto de segurança. Ti, dirigimos igual. :)

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Ontem fui ao meu barzinho favorito da cidade. Dei bafão, é claro. Enfim, tou na capital bambiana do Brasil e quero que se fodam! Pois, em breve partirei, e todos sentirão saudades, portanto, aproveitem. :)





Meus pés chagados, de tempos atrás.


Cansaço

Muitos temas me vêem à cabeça. Esbocei ensaios sobre o divino e o popular, sobre política e sobre o tricolor do Morumbi. As idéias estão aqui na minha cabeça, mas já não tenho mais concentração para desdobrá-las em períodos complexos, em que sopesarei a sua especificidade e as suas conseqüências. Não dá. Estou cansado demais para ir além dos juízos peremptórios. Hoje, não tenho sentimentos, não tenho esperanças. E não tenho medos. Estou entorpecido por uma satisfação muda, por uma sensação de completude. É como se eu fosse madeira maciça, um monobloco que não pudesse ser preenchido por nada. Nenhuma formulação intelectual pode atravessar a divisória entre mim e o todo mundo que me circunda. Sinto-me pleno. Já não sou devorado pela imensidão do tédio, já não me deixo abater pelos temores quanto ao futuro e os remorsos do passado. Sou um homem — um homem uno. Senhor de mim mesmo, sou o meu próprio princípio e o meu próprio fim. E danem-se as circunstâncias!

Tuesday, 16 December 2008

Strangers in the night.

I'm listening to a John Lennon's interview. He was talking a lot of rubbish as always, but I still like him... that's the way it is. And Yoko was next to him spoiling everything.





Let's talk about some beauty, about some nice people...

And so it is...

"Let me get what I want this time."

Ouço neste momento, My World is over do filme The Wonders (aquele da melhor banda que nunca existiu). Estou no meu apartamento na distante cidade portuária no meio da selva amazônica, comendo pizzas feitas pela minha mãe, queijos e coca-cola. Cansada e feliz por ter visto gentes e lugares que outrora faziam parte do meu cotididano.

O importante de tudo é que emagreci 1 quilo desde a minha chegada, já é uma evolução. A notícia triste é que não passei para a segunda chamada da Fuvest. A notícia boa é que amanhã farei um encontro gastronômico (essa modalidade de reunião de amigos eu aprendi como Ti, o co-autor deste espaço litero-acolhedor) em minha residência.

Estou no quarto que foi o meu confessor por anos de adolescência. Passei esse período confuso da vida todo neste apartamento. Com alegria, lembro-me de meus pensamentos daqueles dias. Adoro a sacada, onde à noite eu queria alcançar as estrelas. O apartamento todo é uma grande lembrança, onde eu criava milhares de mundo e brincava a tarde inteira. Desde que dispensamos a última empregada doméstica que esteve conosco, fiquei sozinha em casa (minha irmã ia pra casa dalguma amiga). Amo a solidão em apartamento, parece que o mundo inteiro é seu, pra você ser apenas o que é por aquele instante enorme.

É assim que me sinto e estou: feliz, nostálgica, em casa.

Finalizando este post, uma canção de um filme-pipoca que eu adoro, Curtindo a vida adoidado (Ferris Bueller's day off), dos Smiths, que tá tocando agora na playlist:

Please, please, please, let me get what I want


Sunday, 14 December 2008

Leaving on a jet plane

Tahi foi embora. Deixei-a no aeroporto e ela se foi, de volta para a floresta. Dirigir para casa foi algo triste e, de certo modo, amargo. Já estou com saudades!

Tuesday, 9 December 2008

Apenas uma vez

Acabei de assistir ao filme "Apenas uma vez" (Once). Filme irlandês de baixo orçamento que apareceu no Oscar com a canção "Falling Slowly", que foi a eleita para receber o prêmio desse ano e melhor canção original.

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Nesse dia, do Oscar, foi a primeira vez que eu ouvi essa canção, e fiquei torcendo pra escolherem ela. Assim foi feito. Levei uns meses pra pegar o filme e assistí-lo. E hoje foi o dia de vê-lo.

Ele é um cara que ajuda o pai na loja de consertos de aspiradores de pó, e nos intervalos vai em uma rua movimentada e toca canções populares pros transeuntes. À noite, o cantor apresenta suas próprias canções, quando não tem público para ouvir. Numa noites dessas ele conhece uma moça que o ajuda a gravar suas composições.

Em meio à uma amizade crescente e muitas músicas, eles vão se tornando pessoas um pouco mais felizes.

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Sei lá, nunca consigo expressar o que se passa comigo depois de filmes, não com essa pressão toda. Eu achei o filme agradável e acolhedor, e gostei do violão quebrado dele, e também do quarto vibe aonde ele vive.


Sunday, 7 December 2008

São Paulo Hexa Campeão.

Foi um jogo difícil e de muita emoção pra todo mundo. Acompanhei a partida do ponto de encontro em que nós (os autores deste blog de alegria) sempre vamos ver as partidas do tricolor.

Por vezes temi pelo título, mas no fim, os grandes venceram.


São Paulo Hexa!


"Ahhh, somos Hexis!!!"

Saturday, 6 December 2008

A letra e o tédio

Uma das tentações mais recorrentes do blogueiro é a de entregar-se ao ensaísmo fácil. Afetando despretensão, disserta sobre temas aparentemente irrelevantes num estilo leve e descontraído, que explora paradoxos superficiais e finge descortinar contradições insolúveis. O resultado é conhecido: o Montaigne virtual revela as verdades profundas que dormem latentes em situações aparentemente triviais. Os exemplos são vários, desde o sábio que vê revelar-se a solidão do homem no ato de despreocupadamente tirar caca do nariz, até o arguto observador que tece comentários acerca da ironia do nosso tempo, que transformou a figura de Che Guevara num pin-up, mais um produto da sociedade capitalista. Como resultado, tem-se um texto agradável, engraçado e com grande propensão a conquistar a simpatia do leitor ocasional. No entanto, é um texto vazio.

Desse laissez-aller de idéias, forja-se uma personagem que, de algum modo, flerta com a imagem que tradicionalmente se tem do gênio: alguém que não precisa pensar para alcançar a verdade. O texto não é produto de reflexão ou estudo, do labor intelectual, mas, sim, de um “olhar privilegiado” sobre a realidade, de uma intuição profunda sobre a natureza das coisas.

Esse modo de escrever, obviamente, inviabiliza qualquer debate, qualquer discussão séria e fundamentada sobre qualquer assunto. Isso ocorre porque se abandona a assunção de que a linguagem serve, antes de tudo, para comunicar idéias — idéias essas que devem ser confrontadas e debatidas. Tem-se mais interesse em chamar atenção para a forma enfastiadamente elegante do ensaio do que para o poderíamos chamar de conteúdo do ensaio. Não se quer dizer nada, apenas afirmar a genialidade do autor nas entrelinhas das figuras de estilo.

Para mim, no entanto, nada é mais tedioso que as elucubrações flóridas e anárquicas desses falsos gênios.

Ti

Rumo ao Hexa!

A nação tricolor paulista está em polvorosa com a possibilidade de alcançar, amanhã, o terceiro título consecutivo do Brasileirão. Alguns torcedores estão apreensivos, outros hiper-confiantes, e mais alguns pouco se importando (acontece). Sei que amanhã, às 17h (horário de Brasília), muitos estarão diante de televisores no país inteiro para assistir à mais uma vitória do trator são-paulino. Mas não subestimemos o nosso querido adversário, afinal, o futebol é uma caixinha de surpresas, esse esporte das massas, elegante e agradável para aqueles que o praticam, e - também - para os que apreciam. Um esporte em que 22 homens (e nos dias que correm, mulheres) disputam a posse de uma bola e fazem de tudo para que ela adentre a meta adversária...


Em homenagem à nossa vitória (que espero que seja um fato, amanhã), a foto de Muricy Ramalho e seu queixo de galã:



"É isso aí, moçada!

A primavera dos Dezembros.

Boa noite viventes seres das florestas encantadas!

Sinto-me pleno de amores e pensamentos impublicáveis. Ouço vossas vozes potentes anunciar que haverá um baile grandiosos esta noite. Como não poderia eu, o elfo bailarino, vir para tão especial acontecimento? As manhãs que passaram foram para mim não mais que tempestades sem fim. Pranteei o tanto quanto pude. Contudo, aos primeiros instantes do despertar de hoje, senti-me como rejuvenescido.






Thursday, 4 December 2008

Perdi o jogo, o Inter não. Dããã!

O Internacional foi campeão da Copa Sul-Americana e eu não pude ver o jogo porque estavam vendo um filme nojento na tevê. Já deixei um aviso na geladeira: "Domingo, 17h, a tevê é minha!". Aonde é que esse mundo vai parar? Estão servindo chopp em copo de plástico! Estamos perdido, é o fim dos tempos!



Bem (o certo seria bah), o Inter foi campeão. Parabéns aê colorados do meu país verde-amarelo-branco-azul-anil!


Uma pena eu não poder ter visto o jogo ontem, além da diversão (que é assistir um jogo de fútbol), há, também, a alegria de vencer os argentinos mais uma vez.


"Ahhh, somos campeõesis!"

Tahi.

Atualização:

Acabei de ver o vt do jogo. Que horror! 120 minutos de agonia, o gol saiu só no segundo tempo da prorrogação. Mas foi bonito. Até chorei na rampa. Hehe.



Tuesday, 2 December 2008

Um anúncio futebolístico.

Bundando ciberneticamente, deparei-me com essa foto:






Por motivos de força maior, adiamos o título para um dia mais apropriado, como o Domingo próximo, dia 7.

Resta-nos esperar e torcer.

Tahi.

Shake your booty!

Eu ia comentar coisas legais que sinto, mas a Nicole Kidman está no Dave Letterman Show, e eu não consigo me concentrar no que eu ia escrever.
Em breve viajarei para uma terra distante, haverá momento de descanso e prazer, noutros trabalharei. Eu não mereço descanço agora, pois é o que mais faço, o tempo todo. Morro aos poucos agindo dessa forma.
Ontem fiquei com a garganta estragada, não pude cantar com propriedade hoje, mas fingi que tocava uma guitarra afinada. Atrasei minhas leituras e preparei macarronada.
Nicole voltou, parto agora.
Tahi.


De onde viemos? Quem somos? Para onde vamos?, 1897
Paul Gauguin

Monday, 1 December 2008

Aeterno modo

Num interessante ensaio intitulado The sense of an ending, Frank Kermode discute o mal-estar que, segundo ele, perpassa toda a literatura: como dar cabo a uma narrativa. Cedo ou tarde, o enredo se esgota e o leitor deverá fechar o livro. Cedo ou tarde, o escritor precisará conceder um sentido retrospectivo àqueles fatos dispersos que nos narrou ao longo de tantas e tantas páginas. O tempo antes linear, mera cronologia, converte-se ao final em história, uno, pronto para ser interpretado porque prenhe sentido. Diante disso, perguntam-se os escritores: como terminarei minha narrativa? Serei capaz de dar um final à altura das questões suscitadas ao logo de minha obra? O fim do livro se apresentará ao leitor como conseqüência lógica da realidade literária criada ou será apenas um suspender da pena, “um acabou porque tinha que acabar”?

Felizmente, essa vexa quaestio não se apresenta quando nos propomos a escrever um diário. Aqui, não há fim a ser narrado. Ou melhor: o fim não será narrado. Será o silêncio. O silêncio da morte ou do desinteresse em dar continuidade ao ritual diário de confessar-se. O mesmo vale para os diários da vida moderna, os blogs. Escrevemos quando nos dá na telha, até o momento em que acharmos mais conveniente.

Para mim, a grande aflição daqueles que escrevem um diário é começá-lo. E por quê? Porque escrever um diário, hoje em dia ao menos, não é algo natural. Requer um propósito, uma justificativa para nós mesmos ou para um eventual bisbilhoteiro interessado em xeretar as nossas impressões sobre o mundo. Percebi isso quando ainda era moleque, um mancebo de quatorze anos. Após ler A náusea, quis ver-me como Roquetin: a dissertar em páginas íntimas acerca da pusilanimidade do mundo. Antevia-me surpreso defronte da minha própria profundidade, e deleitava-me ao imaginar como seria capaz, por meio de um diário, de captar todos os matizes de meu sofrimento. Se não me achava suficientemente profundo em meu dia-a-dia, acabaria por fazer-me gênio, um gênio atormentado, por meio de paciente auto-observação.

Quando me fui lançar às anotações de meus sofrimentos, no entanto, senti um travo. Não conseguia escrever. Não podia começar a escrever um diário como se começa um romance, apenas com descrições aparentemente inconseqüentes das coisas que estão ao meu redor. Num diário, temos de decretar o sentido do que é descrito (i.é, a nossa vida) desde a primeira linha. É preciso interpretar, interpretar-nos, a cada nova entrada, a cada novo comentário. Nosso sentido não será dado ao final, retrospectivamente. Queremos manuseá-lo, compreendê-lo, alterá-lo. Assombrado ante essa constatação, pus o diário na mesa e desisti da idéia.

Mais velho, resolvi voltar à idéia do diário. Agora, no entanto, ele será público, e em companhia daquela que me tem servido, ela mesma, como que um meu diário, porquanto tem sido depositária de todos os meus anseios e testemunha de todos os meus dissabores: Tahi. Juntos, decretaremos o sentido das coisas, e criaremos um novo mundo por meio de nossa palavra. Sem medo do fim.

Ti

Sunday, 30 November 2008

Lamento di Arianna

E as cortinas se abrem para o espetáculo:



Olá a todos.

Baianá.

P.S.: A tela permanece negra, a audição que é importante.