Friday, 19 December 2008
Cansaço
Muitos temas me vêem à cabeça. Esbocei ensaios sobre o divino e o popular, sobre política e sobre o tricolor do Morumbi. As idéias estão aqui na minha cabeça, mas já não tenho mais concentração para desdobrá-las em períodos complexos, em que sopesarei a sua especificidade e as suas conseqüências. Não dá. Estou cansado demais para ir além dos juízos peremptórios. Hoje, não tenho sentimentos, não tenho esperanças. E não tenho medos. Estou entorpecido por uma satisfação muda, por uma sensação de completude. É como se eu fosse madeira maciça, um monobloco que não pudesse ser preenchido por nada. Nenhuma formulação intelectual pode atravessar a divisória entre mim e o todo mundo que me circunda. Sinto-me pleno. Já não sou devorado pela imensidão do tédio, já não me deixo abater pelos temores quanto ao futuro e os remorsos do passado. Sou um homem — um homem uno. Senhor de mim mesmo, sou o meu próprio princípio e o meu próprio fim. E danem-se as circunstâncias!
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